Brasileiros e paraguaios discutem questões fronteiriças
23/07/2010

Representantes de entidades empresariais de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este e detentores de cargos públicos de Brasil e Paraguai participaram ontem de uma reunião onde foram abordadas questões pertinentes à fronteira. O encontro, na sede da Associação Comercial e Industrial (ACIFI), teve como meta abordar temas como comércio bilateral, saúde, agricultura, industrialização das fronteiras, facilitação aduaneira, dificuldades de trânsito fronteiriço e integração sanitária. O ministro Juan Ignácio Livieres, coordenador do Grupo de Integração Produtiva do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Paraguai esteve nos debates. Realizado pela Secretaria Municipal de Assuntos Internacionais, o encontro teve como um dos pontos altos a discussão sobre o comércio entre os dois países e algumas particularidades que acabam afetando ambas as balanças como os entraves sanitários. Como explicou o vice-presidente de comércio exterior da Acifi, Mario de Camargo, dentre as reivindicações apresentadas pelos representantes do setor de Foz e Ciudad del Este está a de que as análises fitossanitárias dos produtos vegetais importados pelo Brasil sejam feitas no lado paraguaio. "Atualmente a Senasa (Secretaria Nacional de Saúde de Paraguai) emite um documento e afirma que fez a vistoria. Mas ao chegar aqui e se fazer a vistoria, indica que há bicho. Então o produto vai para o expurgo. Então é feita a fiscalização duas vezes e temos um custo muito grande", explicou. Transgenia A intenção dos empresários é que caso haja alguma anomalia na carga, todo o trâmite seja feito no país vizinho. Dentre os testes que deveriam ser feitos apenas no Paraguai, estão ainda os que indicam transgenia ou a presença de microtoxinas. Atualmente, caso seja encontrada algum problema, o trâmite tem de ser refeito com a carga já do lado brasileiro. "Os testes têm de ser feitos do lado de lá, para depois não termos de mandar este produto de volta. Isso custa muito. (Problemas de) transgenia e de microtoxina exigem que a carga retorne (ou seja incinerada). Já no caso de ter algum bicho, deve-se esperar 72 horas para expurgar (colocar veneno)", disse o empresário. De acordo com ele, com os custos dobrados, os exportadores e importadores "não agüentam mais". No caso do segundo, a questão é delicada pois este adquire um produto, assina um termo de fiel depositário e, ao receber a carga, ela tem um alto índice de microtoxina e tem de ser devolvida. "Já havíamos pedido (aos governos dos países), invocando o Acordo de Recife que faz menção a isso e inclusive apregoa que (fiscalização fitossanitária no Mercosul) seja feita no país de saída. Nesta parte fitossanitária de produtos de origem vegetal devem-se considerar países sede como os de saída. Ou seja: teria de ser feito do lado de lá. Só que não existe ainda este entendimento. É muito técnico, mas esta é uma decisão política", disse. Como a reunião teve a participação do ministro coordenador do Grupo de Integração Produtiva do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do país vizinho, Camargo disse que a meta agora é caminhar, dentro da hierarquia política dos países, para que haja uma decisão dos governos. Por sua vez, Juan Ignácio Livieres se posicionou favorável ao pleito. Como defendeu, tal tema tem a ver com segurança alimentar e naturalmente tem de haver a questão de qualidade, com a certificação sanitária. "Mas temos de agilizar e abaixar os custos e dar competitividade", argumentou o ministro. Conforme sua análise, os níveis de relacionamentos entre Brasil e Paraguai são "muito elevados’, porém mesmo assim há "pequenas imperfeições". Por isso a importância de um trabalho de fortalecimento promovido pelo Grupo de Integração Produtiva (GIP), o qual coordena. "Não acho que possa existir o desenvolvimento da região sem esta interação. Temos de achar incentivos para integrar a produção e ao mesmo tempo descobrir quais são os obstáculos técnicos do comércio, que podem atingir o preço dos produtos. "Um caminhão quatro dias no lado paraguaio e quatro dias aqui, vai encarecer o preço do pão", encerrou.

Fonte da Notícia: Gazeta do Iguaçu

Fonte da Foto: Gazeta do Iguaçu

desenvolvido por INTERROGATIVA