
19/01/2009
Projeto iniciado em 1999, o Porto do Rio Iguaçu — localizado no Porto Meira e que até 1984 operava com tráfego de balsas entre Foz e Puerto Iguazú (AR) — está pronto para operar e aguarda apenas a chegada das cargas. Com capacidade para receber até 30 mil toneladas de grãos por mês, o terminal atuará, em uma primeira fase, apenas com a importação de grãos da Argentina. Em uma segunda etapa, passará a atender também o Paraguai e poderá atuar na exportação de produtos.
Como explicou o administrador do porto, Nabil Kadri, para receber o primeiro comboio de balsas — com cargas de trigo vindas de Rosário, distante cerca de 1,3 mil quilômetro, que são vencidos em dez dias de viagem pelo Rio Paraná — resta apenas a adequação da empresa responsável pelo transporte.
De acordo com ele, o terminal já possui, desde 2006, registro na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Em setembro de 2008, por meio do ato declaratório executivo 51, a Superintendência da Receita Federal do Brasil na 9ª Região Fiscal autorizou o funcionamento do porto. Foi estipulado um prazo para que as operações se iniciassem, no entanto, como o terminal depende do transporte — realizado por uma outra empresa — o início do funcionamento foi adiado para mais três meses. "Depois da primeira operação, ele (o porto) estará liberado e a licença será definitiva", explicou Kadri. "O porto está aberto. Aguarda apenas que a empresa que vai fazer o transporte se adeque (à legislação brasileira), pois até agora não existia este trajeto", complementou.
Estrutura
Com uma estrutura capaz de receber comboios de até 12 mil toneladas, o Porto do Rio Iguaçu dispõe de um sugador — aparelho para retirar os grãos das barcaças — duas tulhas de expedição e uma de recepção. A capacidade de desembarque é de até 160 toneladas. Em dez horas, o porto é capaz de descarregar uma barcaça, o que equivale a 40 caminhões de 27 toneladas cada — totalizando 108 toneladas.
Ainda na parte estrutural, o terminal possui salas reservadas para os trabalhos de técnicos do Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Receita Federal. "Eles vêm e a carga já sai liberada", informou Kadri.
Único investimento do gênero na cidade, o Porto do Rio Iguaçu é um dos primeiros instrumentos que podem auxiliar numa nova configuração do transporte, multimodal, na região, com o uso dos potenciais das hidrovias Paraná—Tietê e Paraná—Prata e da extensão da Ferroeste.
Na avaliação de Kadri, o braço da ferrovia até a cidade, por exemplo, beneficiaria muito o empreendimento que administra, "pois se for fazer a parte do trajeto do Oeste do Paraná, por meio de ferrovia, seja com importação quanto exportação, o custo será muito menor. O transporte rodoviário é o mais caro; o ferroviário é um pouco mais barato e o fluvial ainda menor", ressaltou.
Da mesma forma, a intenção de se construir uma linha férrea ligando o Iguaçu ao Lago de Itaipu seria benéfica ao empreendimento, considerou. "Eu conheço o projeto e isso vai fazer com que se crie um novo mercado. Se bem que existe com o porto de Santa Helena, mas é meio distante. São 180 quilômetros em (transporte rodoviário). Fica pesado". Em média, o custo do transporte fluvial é 50% menor que o por meio de estradas.
Fonte da Notícia: GAZETA DO IGUAÇU - Edição 6.160 - Reportagem Nelson Figueira
Fonte da Foto: Roger Meireles